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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Rins representam 71% dos transplantes no Brasil; doações batem recorde em 2009




Em 2009, 4.259 rins foram transplantados no país, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a ABTO.


Em 2009, 4.259 rins foram transplantados no país, segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, a ABTO. Destes, 2.532, mais da metade, foram cedidos por famílias de doadores mortos. O número de transplantes do órgão cresceu 19% em São Paulo no último ano, e o Estado lidera o ranking de doações.


Segundo Maria Cristina Ribeiro de Castro, secretária do conselho executivo da ABTO, a melhor organização do sistema de captação de órgãos e tecidos favoreceu o resultado positivo. “Há alguns anos, tínhamos um baixo aproveitamento dos órgãos”, disse. Mas ela afirma que o cenário está mudando. “Em 2009, aproveitamos cerca de 80% dos rins doados”.

Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos apontam elevação de 26% no número de doações no Brasil, índice recorde para o país. Ao todo, 5.998 órgãos foram doados. A tendência é de alta, segundo a ABTO, mas ainda não há um levantamento sobre o desempenho do setor no primeiro trimestre deste ano.

Muita gente afirma, de prontidão, que doará os órgãos após a morte. É uma mentalidade que mudou de alguns anos para cá. Há uma década, por exemplo, as filas de espera por doadores enfrentavam, além das inúmeras incompatibilidades, a resistência daqueles que, mesmo estando aptos a ceder algum órgão, receavam em fazê-lo, mesmo que fosse por pura ignorância ou desconhecimento do assunto. Em caso de morte, então, a briga era ainda mais dura. Parentes, fragilizados por um recente momento de dor, negavam a doação por se sentirem “traindo” o ente falecido. Como se fosse mesmo um roubo. “Mal esperamos o corpo esfriar e já vamos lhe furtar um pedaço?”, pensaria uma mãe que perdeu um filho ainda jovem, ou uma esposa enviuvada, ou também um neto responsável por cuidar do enterro do avô.

O crescimento de quase um terço no número de doadores no último ano mostra que as pessoas, abastecidas de mais informações, estão perdendo o medo e o preconceito relativos à doação. O pai que chora ao perder precocemente um filho, esboça um sorriso em saber que uma criança foi salva com um rim doado pela família.

Mas a boa ação pode ser feita ainda em vida. Como o caso de Tereza Lopes, que doou um dos rins ao irmão Jaci, jornalista de 47 anos que passou 4 deles em filas para sessões de hemodiálise. O martírio do irmão pesou na decisão de Tereza. “O que me incentivou foi o sofrimento dele. Eu queria amenizar a dor, porque ele estava sofrendo muito”, disse.

Jaci conhece bem a dor de quem espera por um doador compatível. “Tem pessoas que ficam na fila, aguardando pessoas com acidente vascular cerebral, que tiveram morte cerebral. Tem também aqueles que doam em vida, que foi o meu caso, mas é mais difícil”, disse. E a rotina, segundo Jaci, não é nada fácil. “Eu fiz seis meses de hemodiálise. Esse foi o período entre o tratamento e o transplante”, completou.



Elayne Pereira, Susan Hypolito e Willian Kury

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